Joaquim Palmela, o conhecido radialista e um dos responsáveis pela Tejo Rádio Jornal, está de regresso depois de dois anos e meio de ausência forçada devido a problemas de saúde.

“Foram meses e meses em que, depois de operado à coluna, tive de reaprender a andar, vestir e até a fazer a minha higiene”, adianta Joaquim Palmela, que reparte agora os seus dias entre a sua “paixão” (a Rádio) e a fisioterapia que lhe vai devolvendo alguma autonomia depois de ter chegado a ser informado que só voltaria a andar em cadeira de rodas”.

Foram tempos difíceis que o nosso entrevistado quer agora ver longe.
Palmela é aquilo a que se pode chamar um talento tardio pois começou em Benavente nas rádios piratas, aos 18 anos. Só que a sua rádio da altura não foi a escolhida [na época da legalização das rádios, em 1988], em detrimento da actual rádio Íris.

E só com muito treino é que começou a falar aos microfones, “porque antes ninguém ia ao microfone sem ser considerado apto pelos mais velhos, ao contrário de agora que são os pais que os levam ao comboio para estágios à borla na capital e quando aqui chegam, nem sabem o que é um microgravador ou um microfone”.


Assim e depois de alguma experiência, Palmela decide passar para a Rádio Marinhais onde se manteve como responsável durante 22 anos. “A minha saída tem a ver com a necessidade de mudança, ou seja, chegou uma altura em que a emissão ia ser exclusivamente de musica popular, o que já não me dava aquele gosto e é então que surge a Radio Cartaxo.


Foi aqui que consegui implantar uma programação “mais aberta, mais generalista e que fosse ao encontro de todos”.Mas com a queda das receitas publicitárias, será que as rádios locais são viáveis?, perguntamos. “Julgo que sim, pois num caso de emergência, não será a radiodifusão o meio mais rápido de informar?”, é a questão colocada pelo radialista. 


E que apoio recebe a Tejo Rádio Jornal da Câmara do Cartaxo? “As câmaras e as juntas ou outras organizações não devem dar apoio à rádio, devem sim investir em publicidade e comunicação”, contesta Joaquim, que afirma que, desde 2017, a autarquia não investiu “NADA!”


O que se torna estranho devido ao número elevado de eventos que têm havido nos últimos tempos. “São maneiras de pensar [por parte das autarquias] porque, por exemplo, a câmara de Salvaterra de Magos, no passado Natal, investiu nas rádios e as vendas, segundo a associação de comerciantes (que efectuou um sorteio de compras), teve receitas de mais de um milhão de euros!”


A conclusão do jornalista é que “uma autarquia que promove a sua terra e os seus eventos, está a chamar pessoas, que se deslocam, fazem compras no comércio e depois o comércio também se desenvolve e investe”.

Joaquim vai ainda mais longe e questiona: “quando existem eventos no Centro Cultural do Cartaxo, ou destas nas freguesias ou cortes de ruas, etc, não seria um bom investimento? Não seria eventualmente mais incisivo, dentro da programação, informar que haverá teatro ou cinema, ou que no fim de semana a freguesia está em festa, etc?”


Numa época em que se fala de uma crise dos meios de comunicação locais, será que o futuro das rádios locais não está em risco?”Julgo que cada um tem o seu papel. A rádio é para ouvir no imediato, a imprensa é para ler e desenvolver e a televisão é para ver. Todos têm o seu papel. O pior é quando alguns responsáveis autárquicos vão a uma reunião ou visita e são eles que dão as notícias nas redes sociais”, critica Joaquim, que fala ainda numa “inversão dos valores”.


“A comunicação social não tem o papel de fazer entrevistas quando os políticos se querem promover, temos de ser o espelho de uma sociedade que tem de escrutinar se eles fazem o seu papel bem feito ou não. A comunicação social não se pode “prostituir” ao serviço das autarquias ou dos governos. Aliás, não deixa de ser estranho que haja mais pessoas nos gabinetes de comunicação de algumas autarquias que nalgumas redações de jornais conceituados jornais nacionais”.


“Ter carteira de jornalista não basta, é preciso saber informar e defender as populações”. É com este espírito critico e contundente que Joaquim Palmela se prepara para, em 2020, relançar a Tejo Rádio Jornal. O jornalista, de 62 anos, acredita que mesmo um dia estando reformado, não deixará de se mover pela sua paixão, a Rádio.

Entrevista de Paulo Ferreira de Melo, publicada na edição de janeiro do Correio do Cartaxo

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